Do jornal O Globo:
A congregação Missionárias da Caridade, ordem católica fundada pela santa Madre Teresa de Calcutá, foi envolvida num escândalo de tráfico de bebês em Ranchi, capital do estado indiano de Jharkhand, no oeste do país. Nesta quinta-feira [5/7], policiais fecharam uma casa que fornecia abrigo para mulheres solteiras grávidas e prenderam uma freira e um funcionário da instituição.
A suspeita de tráfico de bebês no abrigo surgiu quando uma entidade do estado voltada à proteção da infância, o Comitê para a Proteção das Crianças, recebeu uma denúncia de que a freira “havia vendido ao menos cinco crianças nascidas de mães solteiras para casais sem filhos”, conforme a reportagem.
Após vistoria, agentes do comitê perceberam a falta de um bebê no abrigo e acionaram a polícia. Num primeiro momento, funcionários da congregação informaram que a mãe havia levado a criança, mas a polícia encontrou evidências de que os suspeitos haviam vendido o bebê a um casal do estado vizinho de Uttar Pradesh por US$ 1,7 mil.
Por que isso importa?
Para além do fato de que a freira (e um funcionário) do abrigo Nirmal Hriday (lar do coração puro, em hindu) fossem ligados à ordem fundada pela Madre Teresa de Calcutá, o que por si já mancha a reputação da congregação, a notícia chama a atenção para duas coisas, principalmente:
- Não é raro o envolvimento de religiosos no tráfico de bebês, inclusive no Brasil. Também não é incomum que casas que deveriam proteger mulheres solteiras grávidas se tornem, na verdade, uma fachada para a comercialização de recém-nascidos.
- Além das duas pessoas presas e, indiretamente, da congregação, também serão investigados os hospitais em que os bebês nasceram – não é raro, tampouco, o envolvimento de maternidades e até de profissionais de saúde no tráfico de bebês.
Também fica evidente que o tráfico de bebês voltado para a adoção ilegal não é coisa do passado. Continua acontecendo em diferentes localidades ao redor do mundo, em um ritmo difícil de mensurar, uma vez que há alto grau de subnotificação.
A matéria do jornal O Globo ainda destaca que “[e]xistem muitos relatos de venda de bebês na Índia. Segundo grupos ativistas, o motivo é a longa fila de espera. As Missionárias da Caridade pararam de intermediar adoções em 2015, por desacordo com regras do governo que facilitaram a adoção por pessoas solteiras e divorciadas”.
Foto de capa: policiais diante da sede do abrigo mantido pela congregação (foto: Reuters)
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