Por que o Brasil virou um ‘celeiro de bebês’ nos anos 1980?

A expressão “celeiro de bebês” foi usada em reportagens nacionais e internacionais para descrever o fluxo de adoções — muitas delas irregulares — envolvendo crianças brasileiras, principalmente na década de 1980. Esse cenário foi resultado de uma combinação de fatores: pobreza, ausência de políticas públicas de proteção à infância e fragilidade no controle estatal.

Na época, o Brasil ainda não contava com um marco legal robusto como o ECA, e os mecanismos de fiscalização sobre adoções e registros civis eram limitados. Isso abriu espaço para atuação de intermediários e redes informais.

Relatórios internacionais e investigações jornalísticas apontam que o país se tornou origem frequente de adoções internacionais, muitas vezes sem garantias legais adequadas — situação que motivou mudanças posteriores na legislação e na cooperação internacional, como as regras da Convenção de Haia sobre Adoção Internacional.