O rosto do jovem israelense Lior Vilk talvez seja o mais conhecido publicamente quando o assunto é a adoção ilegal de bebês brasileiros traficados para Israel. Nascido em 1985, Vilk foi levado quando era bebê, ainda antes de começar a mamar, para o país no Oriente Médio.
Quase 30 anos depois, em 2012, ele viria ao Brasil para dar início, no país, a uma busca incessante e cansativa por parentes biológicos. Até aprenderia português para conseguir se comunicar melhor.
A pesquisa, contudo, começara seis anos antes, em 2006, quando ele ainda vivia em Tel Aviv e conheceu a história de Barak Hindi, adotado que encontrara suas origens no Brasil. Só 16 anos mais tarde a história finalmente teria o desfecho pelo qual Lior tanto ansiava.
Nesta semana, Vilk finalmente conheceu pessoalmente a mãe biológica, Adelina, em Blumenau (SC), num encontro carregado de emoção. Como o rapaz já estava morando no Brasil e falava português, a comunicação entre os dois não foi tão difícil como costuma ser quando o adotado não conhece nosso idioma. A história foi contada pela repórter Mônica Foltran na BBC Brasil.
BBC News Brasil: Brasileiro traficado para Israel quando bebê reencontra sua mãe: 'Única verdade na minha história era a data de nascimento'
Lior era Leandro – o bebê chegou a ganhar o nome antes de ser levado da maternidade. Ele foi vendido por 15 mil dólares e só descobriria aos 20 anos ter sido comercializado por traficantes de bebês. Em 2017, ele contou à Folha de S.Paulo que queria voltar a viver no Brasil e adotar um filho.
“Não sei onde nem quando nasci. Minha certidão diz que foi em Curitiba, em 1º de setembro de 1985, mas é falsa, foi feita pela quadrilha que traficava bebês e me vendeu aqui em Israel. Fui trazido para cá com poucos dias de vida. Fizeram passaporte falso, com uma foto que nem era de mim” – Lior Vilk
Foto de capa: Adelina e Lior conversam numa praça de Blumenau em que se reencontraram (Vitor Serrano/BBC)