Do G1:
A técnica de enfermagem suspeita de tentar sair com um bebê do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, afirmou em depoimento à Polícia Civil que a ação foi apenas uma “brincadeira”.
O caso, que aconteceu no último sábado (28/3), chamou atenção porque a profissional de saúde só não conseguiu deixar a maternidade porque uma vigilante notou que ela se dirigia à porta de saída com um bebê recém-nascido no colo. Imagens do circuito interno de segurança da maternidade mostram a dinâmica – inclusive a abordagem feita pela segurança Kesia Florencia Vernique.
À polícia, em depoimento, Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, contou que a intenção era “testar” a segurança do estabelecimento de saúde e que a “ideia” surgiu conversando com uma colega de trabalho.
[Eu disse para ela:] “Tati, vamos fazer uma brincadeira com a menina da segurança? A gente sai com o bebê e vê se elas falam alguma coisa?” […] Eu peguei o bebê e ela falou assim: “Nossa, Eliane, sério?” [Eu respondi:] “Sério, é só uma brincadeirinha”. Aí eu peguei o bebê […], abri a porta e passei. A moça da segurança falou assim: “Moça, aonde você vai com o bebê?”. Eu não respondi, depois me virei e sorri para ela. […] Não saí do hospital, não saí do setor. Abri a porta, andei uns metros e falei com ela […]: “Moça, era só uma brincadeira, você passou no teste!”
Assista ao vídeo do depoimento na reportagem do G1.
O TJDFT determinou que a Eliane responderá em liberdade mas não poderá se aproximar a mais de 300 metros do hospital em que trabalhava, nem acessar nenhuma unidade neonatal enquanto durarem as investigações. Ela foi afastada do emprego.
A defesa da técnica de enfermagem afirmou, em nota, que a mulher “vivenciou, recentemente, um contexto de extrema dor e vulnerabilidade emocional. Ela enfrentou a perda de seu pai e, apenas seis meses depois, em julho de 2025, o falecimento trágico de seu filho no exterior”
Por que isso importa?
É interessante notar, neste caso, a importância de um bom treinamento da equipe de segurança em maternidades. Nos anos 1980, as quadrilhas se aproveitavam do caos dentro de hospitais para sair com bebês raptados de dentro de quartos das mães biológicas.
Da mesma forma, obviamente não cabe a profissionais de saúde “testar” a equipe de segurança – para isso existem protocolos internos que devem ser observados pela própria equipe de segurança e pela diretoria dos estabelecimentos de saúde.